Diversos insights podem ser extraídos da plenária que discutiu a capacidade global e brasileira de resiliência diante do avanço tecnológico. Investir em pessoas, treinamento, conscientização dos riscos cibernéticos e combater a barreira do desconhecimento sobre os benefícios do seguro cibernético fazem parte desse cardápio.

A mensagem central é a necessidade de colaboração entre todos os envolvidos (clientes, empresas, fornecedores) para responder rapidamente a ataques cibernéticos e minimizar seus impactos.  Todos precisam focar no ser humano, o principal vetor de ataque, e dispor de uma equipe bem treinada e informada para ampliar a resiliência cibernética.

Valdir Assef JR, gerente de Segurança Cibernética da FEBRABAN, assinalou que a rápida evolução tecnológica no sistema financeiro vem provocando mudanças profundas no comportamento dos usuários e nas estruturas das instituições, ao mesmo tempo em que amplia significativamente os desafios relacionados à segurança cibernética.

Com a popularização de soluções digitais e o avanço de ferramentas como o PIX, o dinheiro físico tem se tornado cada vez menos presente no cotidiano, consolidando um modelo em que serviços bancários operam diretamente nos dispositivos móveis dos clientes, lembrou ele.

A seu ver, o que antes dependia de agências físicas passa a funcionar agora de forma contínua e descentralizada. O conceito de atendimento bancário migrou para o ambiente digital, oferecendo acesso ininterrupto — equivalente a diversas “agências” disponíveis 24 horas por dia no bolso de cada usuário. Esse movimento reflete não apenas uma evolução tecnológica, mas uma transformação estrutural na forma como o sistema financeiro opera e se conecta com a sociedade.
“Nesse novo cenário, os riscos cibernéticos deixaram de ser um problema restrito à infraestrutura tecnológica das instituições e passaram a assumir uma dimensão estratégica, diretamente ligada ao negócio. A interconexão entre sistemas financeiros e a natureza compartilhada do ecossistema fazem com que qualquer incidente, independentemente de sua origem — seja em um banco, em um regulador ou até em um grande cliente —, tenha potencial para se transformar rapidamente em um risco sistêmico”, reconheceu.

As vulnerabilidades, por sua vez, se distribuem por diferentes camadas do ecossistema digital. Elas podem estar presentes nos próprios serviços e soluções utilizadas pelos clientes, na infraestrutura tecnológica, nas redes de telecomunicações, na internet e até nos modelos de governança e regulação estabelecidos. Não há, atualmente, um ponto isolado de fragilidade: todos os elementos do sistema exigem atenção constante.

Thiago Galvão, chief Security Advisor da Microsoft, realçou o papel estratégico da indústria de seguros diante do avanço tecnológico e dos novos riscos, especialmente relacionados à segurança cibernética. Destaca que, embora existam ameaças (“bad guys”), há também oportunidades relevantes para o setor contribuir com proteção, especialização, treinamento e monitoramento de riscos nas empresas. Cabe ao seguro atuar não apenas como mecanismo de cobertura, mas também como agente regulador e de gestão de riscos.

Bengt Von Toll, head de Cyber do Grupo Munich Re, examinou o papel central da tecnologia no crescimento econômico e destacou a segurança como elemento essencial no atual cenário digital. Defende a educação digital desde cedo, com foco em conscientização sobre riscos cibernéticos, já que muitos usuários e projetos ainda ignoram essa dimensão e permanecem vulneráveis a ataques indiretos.

No mercado segurador, o especialista lembra que o seguro cibernético vem evoluindo para além da cobertura, incorporando serviços como testes de phishing, treinamentos e ferramentas de proteção, com o objetivo de preparar clientes e ampliar a contratação.

Por fim, destaca-se a crescente demanda por capacitação em tecnologia e inteligência artificial, com iniciativas de larga escala de treinamento, evidenciando que há interesse real das pessoas em se qualificar, o que reforça a responsabilidade de empresas e instituições na formação digital da sociedade.

Vinicius Malacco, gerente da Tokio Marine Seguradora, afirma que o seguro de cyber está em estágio inicial no País, acrescentando haver muito mercado para ser conquistado. “Hoje, o maior desafio do mercado, mesmo com a evolução de itens e apólices emitidas em seis anos, é obter um crescimento de alto nível.

A barreira é o desconhecimento do cliente é um entrave. Ele diz que esse desconhecimento está presente nas empresas dos mais variados portes, mostrando que o risco cibernético não é percebido plenamente pelas empresas. O desafio das seguradoras consiste em tornar o seguro de cyber mais tangível para os segurados. Um índice de conversão de negócios, na linha de produtos cibernéticos, releva que a taxa de adesão equivale à metade dos demais ramos. Aprimorar produtos, como coberturas para transações financeiras, fortalecer a divulgação e propaganda dos benefícios estão entre as ações necessárias para o salto dos seguros voltados aos riscos cibernéticos.

Fonte: Notícias do Seguro