O aumento da frequência de eventos climáticos extremos, a expansão dos riscos cibernéticos e a crescente complexidade das cadeias produtivas vêm ampliando o debate sobre mecanismos capazes de garantir maior previsibilidade econômica. Nesse contexto, os mercados de seguros e resseguros têm reforçado seu papel como instrumento de proteção patrimonial e continuidade dos negócios, apoiado por uma estrutura de resseguro que amplia sua capacidade de absorver riscos de grande magnitude.

Embora pouco visível para a maior parte da população, o resseguro é um componente essencial do funcionamento do seguro. Ao distribuir riscos entre diferentes agentes do mercado, ele amplia a capacidade das seguradoras de assumir exposições relevantes, oferecendo suporte para a proteção de empresas, famílias e investimentos de longo prazo.

“O resseguro é uma engrenagem de segurança econômica dentro da cadeia de proteção do seguro. Ele permite que riscos grandes deixem de ser um obstáculo para o investimento e passem a ser administráveis. Quando essa engrenagem funciona bem, seguradoras conseguem ampliar sua capacidade de cobertura e a economia ganha previsibilidade; quando ela é insuficiente, o custo do risco volta para a atividade produtiva”, afirma a presidente da Federação Nacional das Empresas de Resseguros (Fenaber), Rafaela Barreda.

À medida que o mercado segurador cresce e passa a proteger riscos mais complexos, também aumenta a relevância da capacidade de resseguro disponível para sustentar essa expansão. Nesse contexto, análises recentes apontam para uma maior dependência de capacidade internacional e para a redução da retenção de prêmios no mercado doméstico, movimento que tem levado especialistas a discutir seus impactos sobre a formação de poupança de longo prazo e a capacidade local de absorção de riscos.

Para o setor, a discussão ultrapassa os limites das seguradoras e resseguradoras e alcança áreas estratégicas da economia, como infraestrutura, agronegócio, exportações, crédito e investimentos. “Num país como o Brasil, a discussão sobre seguro e resseguro não é setorial. Ela diz respeito à capacidade de financiar obras, proteger empresas, sustentar cadeias produtivas e absorver choques sem paralisação da economia real. O seguro é a proteção que chega ao cidadão e às empresas; o resseguro é o que dá sustentação para que essa proteção exista em escala”, afirma Barreda.

Em um cenário marcado por riscos cada vez mais complexos e interligados, a capacidade de transferência e compartilhamento de riscos tende a ganhar espaço nas discussões sobre competitividade, crescimento econômico e resiliência das cadeias produtivas. Nesse processo, o fortalecimento do mercado de seguros, mediante o aumento de retenção e de sua estrutura de resseguro aparece como um dos elementos centrais para ampliar a proteção econômica e a capacidade de recuperação diante de eventos adversos.