O avanço do setor de resseguros no Brasil acompanha uma transformação no perfil dos riscos enfrentados pela economia brasileira. A combinação entre eventos climáticos mais severos e frequentes, expansão dos investimentos em infraestrutura, crescimento das operações de crédito e maior exposição patrimonial tem ampliado a demanda das seguradoras por mecanismos de transferência de riscos, avalia a Federação Nacional das Empresas de Resseguros (Fenaber).

Segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), os prêmios cedidos ao resseguro somaram R$ 29,7 bilhões em 2025, alta de 12,6% em relação ao ano anterior. Apenas entre janeiro e maio de 2026, as cessões alcançaram R$ 12,19 bilhões, mantendo a trajetória de crescimento do mercado.

O resseguro funciona como um instrumento estratégico na operação das seguradoras, seja na proteção de capital, seja na pulverização de risco, no aumento de capacidade ou na proteção de eventos de maior concentração ou complexidade. Ao distribuir parte das exposições entre resseguradoras, o setor amplia sua capacidade de assumir novos riscos e oferecer coberturas diferenciadas, preservando o capital para sustentar a oferta de seguros em diferentes segmentos da economia.

Na avaliação da presidente da entidade, Rafaela Barreda, o crescimento das cessões reflete uma mudança estrutural. Além do aumento do volume de bens segurados, empresas e seguradoras passaram a lidar com riscos novos e mais complexos, marcados pela maior frequência de eventos climáticos extremos, pela volatilidade econômica, pelo avanço de grandes projetos de infraestrutura e pela ampliação de operações de crédito, garantia e responsabilidade civil.

“O aumento das cessões não significa apenas mais negócios. Ele demonstra que o mercado está oferecendo coberturas para riscos maiores, mais diversos e mais complexos. O resseguro passou a desempenhar um papel ainda mais estratégico para ampliar capacidade, preservar capital e permitir que as seguradoras continuem apoiando investimentos e o desenvolvimento econômico”, afirma a executiva.

Esse movimento acompanha a evolução da própria economia brasileira. À medida que aumentam os investimentos em infraestrutura, a expansão imobiliária, as operações corporativas e a exposição a eventos de grande impacto, cresce também a necessidade de mecanismos capazes de distribuir riscos e garantir estabilidade ao mercado segurador.

Para Barreda, o avanço do resseguro demonstra que a gestão de riscos deixou de responder apenas a eventos extraordinários e passou a integrar as estratégias de continuidade das atividades de vários setores. Nesse cenário, o resseguro ganha importância não apenas para absorver perdas de grande magnitude, mas também para ampliar a capacidade de subscrição e dar sustentação à expansão do mercado de seguros em um ambiente econômico mais incerto.