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    Resseguro volta ao centro do debate com retomada do Encontro do Rio em 2026

    2026-02-11

    Fonte: Sonho Seguro

    Por Denise Bueno
     
    Em um momento em que o mercado brasileiro de seguros e resseguros volta ao centro das discussões sobre financiamento de infraestrutura, transição climática e estabilidade macroeconômica, o 9º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro, que acontece nos dias 19 e 20 de maio, marca a retomada de um dos principais fóruns estratégicos de transferência de riscos da América Latina. Organizado pela Federação Nacional das Empresas de Resseguros (Fenaber), em parceria com a Confederação Nacional das Seguradoras(CNseg), o evento reunirá seguradoras, resseguradoras, reguladores, investidores e formuladores de políticas públicas para debater o papel do resseguro na agenda de desenvolvimento do país.
     
    A programação prevê painéis sobre riscos climáticos e eventos extremos, instrumentos alternativos de transferência de risco — como cat bonds —, ambiente regulatório, cenário geopolítico e perspectivas de capital internacional para o Brasil. Em um contexto de ano eleitoral, incertezas fiscais e expectativa de retomada dos investimentos em infraestrutura, o encontro se propõe a discutir como um mercado de resseguros capitalizado, tecnicamente disciplinado e integrado ao mercado global pode ampliar a previsibilidade, fortalecer a resiliência e sustentar a expansão da proteção securitária no país.
     
    “O resseguro é um pilar de viabilização de projetos estruturantes, pois permite alocar, diversificar e precificar adequadamente riscos de longo prazo em segmentos como transportes, energia, saneamento e concessões em geral. Ao transferir parte relevante desses riscos para um mercado global capitalizado e com ampla capacidade, o resseguro contribui para melhorar a percepção de risco, apoiar a estruturação de garantias e criar condições mais favoráveis para financiamento privado e emissão de títulos.Rafaela Barreda, presidente da Fenaber e também do Lloyd’s of London no Brasil”, disse com exclusividade ao Sonho Seguros. Leia os principais trechos da entrevista.
     
    O Encontro de Resseguro do Rio volta em 2026 após um período de pausa. O que motivou esse retorno agora — e por que este é o momento ideal para recolocar o resseguro no centro da agenda nacional?
     
    Como Fenaber, entendemos que a retomada do Encontro em 2026 responde a uma demanda concreta do mercado por um fórum técnico de alto nível, capaz de articular seguradoras, resseguradoras, reguladores e investidores em torno dos riscos emergentes e das novas frentes de desenvolvimento do país. O cenário atual, marcado por transformações econômicas, geopolíticas e climáticas, exige coordenação institucional e previsibilidade, e o resseguro ocupa posição central nessa agenda ao sustentar a estabilidade do mercado e dar suporte à expansão da proteção securitária no Brasil.
     
    Após um período de pausa, a conjunção de maior sofisticação do mercado local, evolução regulatória e necessidade de financiamento de longo prazo para infraestrutura e transição climática torna este o momento adequado para recolocar o resseguro no centro do debate nacional. O 9º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro, organizado em parceria com a CNseg, retoma sua vocação de principal fórum estratégico de transferência de riscos na América Latina e reforça o compromisso institucional da Fenaber com o desenvolvimento sustentável do mercado brasileiro de resseguros.
     
    O evento acontece em um ano eleitoral, com incertezas sobre o cenário fiscal e, ao mesmo tempo, grande expectativa de retomada dos investimentos em infraestrutura. Na sua visão, qual é o papel do resseguro para destravar esses projetos e dar previsibilidade ao país?
     
    O resseguro é um pilar de viabilização de projetos estruturantes, pois permite alocar, diversificar e precificar adequadamente riscos de longo prazo em segmentos como transportes, energia, saneamento e concessões em geral. Ao transferir parte relevante desses riscos para um mercado global capitalizado e com ampla capacidade, o resseguro contribui para melhorar a percepção de risco, apoiar a estruturação de garantias e criar condições mais favoráveis para financiamento privado e emissão de títulos.
     
    Em um ano eleitoral, com natural incerteza fiscal e macroeconômica, a presença de um mercado de resseguros robusto, bem regulado e tecnicamente preparado ajuda a reduzir volatilidade e a dar previsibilidade aos investidores, tanto domésticos quanto estrangeiros. O Encontro será uma oportunidade para aprofundar o diálogo entre setor segurador e ressegurador, formuladores de políticas públicas e instituições financeiras, com foco em mecanismos concretos para destravar investimentos e ampliar a segurança jurídica e contratual dos projetos.
     
    Relatórios recentes mostram um mercado global de resseguro capitalizado, rentável e com forte capacidade para absorver riscos — inclusive com o avanço dos instrumentos alternativos, como cat bonds. O que o Brasil pode esperar desse apetite internacional? O país está preparado para atrair mais capacidade e inovação?
     
    O mercado global de resseguro atravessa um ciclo de capitalização e disciplina técnica que se reflete em forte capacidade para absorção de riscos e no desenvolvimento de instrumentos alternativos de transferência, como os títulos de catástrofe e outras estruturas vinculadas a mercado de capitais. Para o Brasil, isso se traduz em oportunidade de acessar mais capacidade, diversificar fontes de proteção e incorporar soluções inovadoras para riscos climáticos, de infraestrutura e de grandes volumes de carteira.
     
    O país dispõe hoje de um marco regulatório de resseguros consolidado, com presença de resseguradores locais, admitidos e eventuais representados institucionalmente pela Fenaber, o que reforça a segurança e a previsibilidade para o capital internacional. Estamos preparados para atrair mais capacidade, desde que avancemos na melhoria de dados, na transparência de informações e na estabilidade regulatória, e o Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro será uma plataforma para aproximar ainda mais o mercado brasileiro dos grandes players globais e de investidores institucionais interessados em riscos estruturados.
     
    As mudanças climáticas estão pressionando o mercado segurador mundial. Quais devem ser os principais debates desta edição sobre riscos climáticos, eventos extremos e soluções para aumentar a resiliência da sociedade brasileira?
     
    As mudanças climáticas já impactam diretamente a frequência e a severidade de eventos extremos, com repercussões importantes na sinistralidade e na precificação de riscos em diversas linhas de negócios. Nesta edição, queremos promover um debate qualificado sobre modelagem de riscos climáticos, uso de dados e tecnologia, soluções paramétricas e mecanismos de financiamento resiliente capazes de apoiar tanto o setor privado quanto o poder público na gestão desses eventos.
     
    Também será central a discussão sobre como o mercado de seguros e resseguros pode contribuir para políticas de adaptação e mitigação, incentivando práticas mais resilientes em infraestrutura urbana, agronegócio e cadeias produtivas críticas. 
     
    A Fenaber tem atuado em parceria com a CNseg na estruturação do evento e na busca de novos patrocinadores. Que mensagem vocês querem transmitir ao mercado? Como o Encontro de Resseguro pretende se consolidar novamente como um fórum essencial para seguradoras, resseguradoras, reguladores e investidores?
     
    A mensagem que desejamos transmitir é de coordenação institucional e visão de longo prazo: Fenaber e CNseg, ao unirem esforços na realização do 9º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro, reafirmam o compromisso com um mercado mais sólido, transparente e orientado às melhores práticas internacionais. A busca ativa de patrocinadores e parceiros estratégicos demonstra a confiança no potencial do evento de gerar conteúdo técnico relevante, networking qualificado e oportunidades concretas de negócios.
     
    Nosso objetivo é consolidar o Encontro, novamente, como o principal fórum da América Latina dedicado à transferência de riscos, reunindo seguradoras, resseguradoras, corretores, reguladores, investidores, grandes segurados e empresas dos setores econômicos brasileiros em um ambiente propício a discussões de alto nível e à construção de agendas comuns. Ao oferecer um programa focado em temas regulatórios, geopolíticos, climáticos e de inovação, o evento contribui para fortalecer a resiliência do mercado brasileiro de seguros e resseguros e para posicionar o Brasil como polo relevante no cenário internacional de gestão de riscos.